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domingo, 30 de janeiro de 2011

BEL texto sobre XARPI

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Hoje BLOG trás um texto muito interessante e bem escrito de um menina chamada BEL, relatando como o XARPI entrou em sua vida. Aê BEL ao contrário do que você disse no texto, EU NÃO TIVE CULPA DE NADA NÃO.Detalhe que roubei esse texto do BLOG dela, ela nem sabe, rsrsrs!
Parte I

Desde pequena fui acostumada com muita adrenalina! Meu pai era a Aeronáutica, quado tinha uns sete anos me levava para pular de paraquedas (com ele, não podia ir sozinha nessa idade), fazer rapél, praticar escala etc. Nós morávamos em Mato Grosso do Sul, era roça, só havia mato. Então, dias de domingo o nosso hobbie era entrar mato a dentro e ficar espiando as coisas. Ele adorava me colocar medo, sempre gritava "OLHA AQUELA COBRA !" e eu dava um pulo, saia correndo. Depois ria de mim e dizia que estava brincando, e eu ficava muito brava, mas gostava de ver meu coração batendo forte, angustiado.
Meu irmão na época tinha onze anos e era o "rebelde da família" (como até hoje). Só fazia besteira, e eu, por incrível que pareça, sempe o admirei muito exatamente por ele ser o cara politicamente incorreto. Quando pensamos em irmãos mais velhos lembramos daqueles caras que chantageiam as irmãs, batem e forçam elas a fazer algo pra eles. O Igor era diferente. Ele me ajudava e eu o ajudava, ele me defendia, tinha ciumes de mim. Eram raras as vezes que brigávamos. Me lembro como ontem dele brigando, aos gritos com meu pai e minha mãe por causa de suas amizades. Eram todos bem mais velhos, já tinha os visto uma vez na escola. Deviam ter uns 15 anos na época. Eles passavam lá em casa e chamavam o Igor, minha mãe não deixava ele sair e mesmo assim ele dava um jeito de sair. Meus pais ficavam preocupados e quando ele voltava, meu pai colocava de castigo, quando não rolava os tapas báaaaaaasicos.
Era engraçado ver meu irmão com aqueles amigos deles, eles sempre de roupa larga, com aspecto de sujo e com um cigarro da boca. Pareciam que não tinham família, e eu nem sei como o Igor fez amizade com eles. Campo Grande tinha um evento por mês de encontro de motoqueiros, meu pai adorava essas coisas e levava o Igor. Não me levava, pois dizia que era coisa pra menino e eu não tinha idade pra isso. Eu me revoltava ! Chorava aos berros pra ele me levar e pertubava tanto que ele acabava me levando, mas eu não podia me desgrudar dele. Meu irmão podia ficar andando sozinho, acho que foi numa dessas andadas que ele achou os caras. Só me lembro do nome de um, aliás, nome não. Apelido. Era o RETO. Não sei porque chamavam ele assim, mas ele ligava la em casa as vezes e pedia pra falar com meu irmão.
Um dia, o Igor chegou em casa todo sujo de tinta, todo surrado. Sem camisa e com as costas lanhada ...

Parte II

Depois fui descobrir que o tempo que meu irmão passava fora de casa, ele praticava o famoso TAG. (Aqui no Rio chamado de XARPI). Ele escondia as latas de tinta dentro do armário, na parte que guardava sapatos. Só eu sabia.
Achava supermaneiro ! Eu tinha vários nomes dele no meu caderno, chamavam ele de SOUTH, não me perguntem porque. Eu não via muitos nomes pela cidade, além do mas ele era pequeno ainda, não saia pra muito longe, ficava só pelo bairro mesmo, então não era muito famoso. Porém era famoso pela sua idade e por ser rato.
Se passaram uns dois anos, e meu irmão ainda nessa vida. Não destia por nada e eu só acompanhava. Foram incontáveis as vezes em que ele chegou em casa após a famosa "rodada" (aprendi as gírias com ele). Meu pai sabia, caia na porrada com ele mais ele nunca parou...
Um dia meu pai saiu com minha mãe e disse pro Igor ficar em casa comigo, e ele disse "mas pai, hoje eu tenho que sair" e ele disse "não, fica aí com sua irmã" aí meu, o cara pirou ! Esperou meu pai sair de casa e me disse "isabela, eu vou te levar comigo, se você abrir a boca pra alguem eu te arrebento ! " foi a primeira vez que vi meu irmão falando daquele jeito comigo. Até me assustei e prometi a ele que não falaria nada a ninguém. Saimos bem a noite, não lembro o horário e não lembro com quem fomos, sei que foram os amigos esquisitos do meu irmão. 
Ali mesmo no bairro eles me levaram num parque que tinha uma igrejinha, pequena, católica. Abriram a mochila e fiquei horrorizada com a quantidade de tinta e de maconha. Cada um pegou uma tinta e eu fiquei parada em uma lateral da igreja pra avisar se havia alguem ali. Fiquei parada olhando os caras colocarem o nome em uma das janelas da igrejinha, estava hipinotizada, acho que meu olho estava brilhando, achei um máximo aqueles garotos malucos rabiscando a parede. O Igor não escalou, colocou o nome dele em baixo mesmo, quando terminou me deu a lata e perguntou se eu queria tentar. Fiquei nervosa, mas disse que sim. Perguntei pra ele o que era pra eu fazer e ele disse pra eu escrever BELA (meus pais me chamavam assim). Tentei. Caguei tudo, quem via não entendia nada, fiz uma bagunça e fiquei toda suja. Os moleques começaram a rir de mim, achavam engraçado aquela situação. Me senti constrangida, mas logo caí na gargalhada também. Fomos em bora, a pertir daquele dia eu pedia pro Igor me ensinar a fazer aqueles rabiscos muito lucos, no papel, é claro ...
Eu ja tava craque naquele bagulho ! Sentia necessidade de ficar rabiscando aquilo, mas só tinha saido poucas vezes com meu irmão. Ficava só na canetinha mesmo. 
Meu pai se separou da minha mãe ! Eles brigavam muito e acharam melhor assim. Fiquei chateada, mas pude entender a situação. Achei melhor se separarem do que ficarem brigando toda hora, mas fiquei mal quando minha mãe decidiu vir morar no Rio, não gostava daqui além do mais iria ficar longe do meu irmão, ele tinha mais de doze anos e podia escolher com quem ficar. E quiz fica com meu pai, queria ficar com seus amigos que não largaria por nada. Vim pra cá sabendo que não gostaria, achava que só em MS tinha TAG's, eu ja estava apaixonada...
Durante a viajem vim observando os muros. Era muito engraçado, ao envés de ver as paisagens eu prestava atenção em muro (risos). Vinhemos morar com a minha avó, na favela do Batan em Realengo. Eu tinha dez anos. O pessoal de lá ja me conhecia, sempre passava as férias com eles, eram legais mais bem certinhos, seu pais frequentavam igreja evangélica, por isso não gostavam muito das minhas idéias que sempre foram LOUCAS.
Passou algum tempo e eu ja estava me acostumando com o Rio. Eu sempre ligava pro Igor ele me contava das novidades, das suas aventuras matinais, me visitava as vezes, quando podia. Peguei um ódio mortal do meu pai, não sei porque, não falava com ele. Até hoje eu não falo, só pra pedir dinheiro. Eu tinha me desapegado um pouco com a pichação foi quando um dia, indo para o centro da cidade com minha madrinha, vi um nome perto da central do Brasil, depois de muito tempo de pesquisa (risos) descobri que quem tinha feito o nome era o VUCA. Me apaixonei ! Comecei a observar esses nomes em qualquer lugar que eu ia... Vi do NUNO, KADU, NATH, vi nomes do PONGA (esses pra mim até hoje são os que eu mais admiro, que tem uma parcela de culpa por eu ter me tornado o que sou hoje) (risos). Vendo esses nomes, voltei a ter a impressão de antes, me reapaixonei pelo xarpi.
Na escola, sempre fui de andar com meninos, um dia, andando com um amigo meu, o Paulinho (meu amigo até hoje, te amo muito s2) comentei com ele sobre essa minha pesquisa doida sobre pichação e aí ele me apresentou o NOIA. Ele era de Magalhães Bastos, tinha 19 anos. Atualmente falecido, levou um tiro no pescoço em uma missão no Meier. NOIA era muito responsa, me chamava de dimenor, por eu ser bem novinha. No começo achou loucura me ensinar algumas coisas, mas foi com ele que aprendi a ter sagacidade pra andar na rua. Sempre que tinha chance, falava pra minha mãe que ia dormir na casa de uma amiga pra poder sair com ele, a gente bagunçava os muros da cidade, era coisa de louco. Essa rotina me fez conhecer alguns amigos deles como o TUTA, MENDY, KOFI, ZUM, MOKA e LOPS. Eu era a mais nova, tinha doze anos. Um dia, acordei de manhã com a minha mãe dizendo que a MENDY tava chorando no telefone e que precisava falar comigo. O NOIA morreu...
Chorei muito, fiquei mal. Disse a mim mesma que pararia com aquilo. Mas não conseguia, só bastava eu sentir o cheiro da tinta pra eu me render de novo
Após esse dia comecei a ficar mais rata na rua. Prestava atenção em tudo, ficava na atividade. Comecei a querer escalar, já caí inumeras vezes, mas sempre estava lá pra terminar o que tinha começado. Era digna no lema “termine o que começou”. Meu irmão que dizia isso... Em falar nele, ele um dia me contou que começou a namorar com uma tal de Mariana, a mina não curtia os TAG dele, aí ele parou. Chamei ele de paga pau e etc. 
Um dia eu estava em um rolê sozinha, subi em uma janelinha que tava namorando a muito tempo em Edson Passos. Tava tranquila, segura. Quando menos esperava uma mulher abriu a janela e me empurrou pra varanda que tinha ao lado, não consegui tirar o birro da lata, ela me deitou no chão e pintou minha cara toda, me fez engolir o birro, me enfiou o cacete. Agora me perguntem: Isabela, você não parou ? Não ! Eu não parei. Isso pode acontecer com qualquer um, é consequencia. Você pode roubar, e pode ser preso. Você pode traficar e ser morto. Eu posso pichar e rodar. E proceguindo. A mulher depois disso pegou dez reais que tava no meu bolso, perguntou quantos anos eu tinha e mandou eu vazar e parar com isso, que um dia eu vou rodar com um malucão que não terá pena de mim que nem ela teve, “ele irá te matar”. Fiquei desesperada, mas não desisti.
Nos mudamos pra Nilópolis, Baixada Fluminense. Minha mãe arrajou um cara lá e e começou um relacionamento sério com ele. Aqui conheci o BÊNI... ah meu pequeno BÊNI, que saudade. Ele tinha dez anos, morreu ano passado, pichando. Sinto sua falta. Era um moleque maneiro, sua mãe era vagabunda e não ligava pra nada. Ele tava sempre de cabeça erguida, tinha só dez anos mas parecia que tinha vivido uns vinte. 
Comecei a frequentar REU. Ia em todas, me amarrava. Numa dessas tenho o maior prazer de dizer : eu conheci o VUCA! Tenho nome dele guardado até hoje, depois de algum tempo, descobri que ele tinha morrido em junho. Nesse mesmo ano morreram cinco amigos meus. Fiquei arrazada.
Mais é isso aí, hoje eu estou aqui, firme e forte. Nunca parei !Talvez algum dia me aconteça algo que me prejudique, mas queria dizer a todos que não tenham medo de viver. VIVA INTENSAMENTE! Esquece o futuro porque ele é traiçoeiro. Minha mãe sabe que eu faço isso, só pede que eu tenha responsabilidades nos estudos. No intervalo disso me envolvi com drogas (não quero fazer comentarios).
A vida é curta meu brother, temos que aproveitar. O unico prazer que eu tenho na vida é de passar em um lugar e ver meu nome se destacando, tenho prazer em ver as pessoas comentando. Sou nova, tenho muito que viver. Muitas pessoas pra conhecer... Quero ter a oportunidade de conhecer aqueles que me influenciaram no passado, pra eu ser um deles no futuro.
Pra quem não gosta, sinto muito, seu muro pode ser o próximo !

2 comentários:

Aka +A disse...

Poha ki parada foda mano
valeu a pena ter colokado akee ...
eu li tudin i axei mt show

Isabela Calandrini disse...

Porra Nuno, valeu pela moral. Sabe que eu te admiro pra caralho e sim, a culpa também foi tua ! hahahahahahahaha
valeu s2