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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Entrevista com Anarkia

Depois de muito tempo, tentando essa entrevista, finalmente consegui. Na verdade nem é uma entrevista, mas sim, um bate papo, vamos navegar na vida pessoal, de graffiteira e de ex pichadora de nossa entrevistada.

Com vocês: Anarkia


0 - Nasceu onde Panmela?
Sou nascida e criada na Penha. Lá mesmo, do lado do tão famoso viaduto da Lobo Junior.

1 - Como foi a infância da menina Panmela? Fale um pouco dessa época.
Até meus 15 anos eu praticamente não falava com ninguém da cidade, era super oprimida com o tipo de criação que me impuseram. Só tinha alguns poucos amigos em Jaguanum, aonde meu pai tinha uma pousada e me obrigava a passar todos os finais de semana e férias. La era mato e praia e era frustante não poder freqüentar festas e lugares como uma adolescente normal, em compensação eu joguei muita bola, soltava pipa, subia em arvore e outras coisas que as meninas normais não tinham muita oportunidade de fazer. Também usei um aparelho pra coluna em que eu ficava toda cheia de ferro da cintura ao pescoço em estilo Robocop, isso acabou de terminar com a possibilidade de uma vida social sadia. Por conta disso tudo, eu dei meu primeiro beijo na boca só aos 16 anos de idade com o meu primeiro namorado, que era um menino super legal la de Parada de Lucas.
O que tive sorte foi de apesar de minha mãe ser sempre tão opressora com medo de eu me desvirtuar, ela nunca quis que eu fosse mais uma dona de casa como ela, me dando oportunidade de me dedicar aos estudos e a minha independência. O meu pai de sangue foi seu primeiro marido e apesar de ser mestre em química pela UFRJ, se afundou nas drogas e um tempo depois morreu, e isso foi o que gerou todas as neoroses na minha mãe que acha que isso tudo é genético e que qualquer coisa é motivo de eu acabar como ele. Insatisfeita e sofrendo violência doméstica, ela fugiu de casa quando eu tinha 1 anos de idade com o vizinho de frente, um coroa 20 anos mais velho e que era pai de família com 3 filhos adolescentes, que foi quem me criou com todo amor de pai e sem nenhuma diferença com minha irmã que nasceu desta união pouco tempo depois.


Anarkia aos 13 anos de idade


2 - Em que momento foi que a menina Panmela, decidiu trocar as bonecas por latas de spray?
Por volta dos 12 anos de idade meu quarto era todo cor de rosa, com babados em todas as partes. Eu tentava explicar pra minha mãe que aquilo não tava mais combinando comigo e ela não entendia. Então eu peguei minhas tintas, que na época eram guaches, aquarelas e hidrocores e grafitei todo o meu quarto. Taquei fogo em todos os ursos de pelúcia idiotas e proclamei liberdade da infância. Minha mãe foi obrigada a reformar o quarto de acordo com os meus desejos.
Mas minha independência real eu só tive depois que passei pra UFRJ aos 17 anos, quando pude começar a andar sozinha na rua, sair de casa a noite e principalmente não ir mais pra Jaguanum. Nesta época também arrumei meu primeiro trabalho, conquistando assim uma certa independência financeira. É claro q eu fiquei louca com isso tudo de uma vez só acontecendo ao mesmo tempo e deu no que deu: Só doideira. Não adiantou nada os anos que eu passei trancada em casa, pois eu quis fazer tudo o que não tinha feito de uma vez só. Foi quando conheci o Spray.
Minha mãe foi morar em Itacuruçá e eu fui obrigada a ir também. Eu comprei uma Bizinha e tinha a maior liberdade. Uma amiga que arrumei por la era fanática por pichação por conta da escola e então eu dei a idéia da gente invadir a escola da garota e pixar tudo. Destruímos. Hoje fico até com pena. Ato de vandalismo terrorista, não sobrou nada sem tinta: Diretoria, banheiro, topo, fachada, tudo. No outro dia fui buscar ela na escola e os garotos estavam todos orissados querendo saber quem eram essas minas que agora eram suas ídolas. Ai pegou no meu ponto fraco. Eu que sempre gostei dos “gatinhos” mas sempre tive dificuldade de interagir e nunca gostei de ser tirada como “presa”, adorei estar sobre o controle e ver todos os garotos da cidade perdendo. Foi ai que resolvi me dedicar. Coisa de adolescente, né!?

3 - A pessoas confundem personalidade forte com marra, você se acha marrenta ou com personalidade forte? Porque?
Eu passei assumir esta minha personalidade forte quando aceitei o apelido de Boladona conferido pelos moleques da OD2 e que ta comigo até hoje. Hoje sou uma pessoa muito mais tranqüila e tento agir de forma o mais pacífica possível. Quando você fica conhecido e as pessoas gostam de você pelo o que você faz ou pelo o que você representa, isso gera desejos e fetiches que nem sempre estamos dispostos a sustentar. Quando essas pessoas que te admiram se sentem frustradas por se sentirem ignoradas ou algo parecido, isso muitas vezes gera raiva e até ódio. É uma situação difícil de lidar porque agente não quer ficar por ai chateando geral, mas ao mesmo tempo é difícil dar atenção para todos, ter bom humor todo o tempo e principalmente ser amigo e lembrar de todo mundo! A amizade é algo que surge por acaso e vai se estreitando naturalmente, e pra muita gente é difícil entender isso. Todos os dias recebo recados, mensagens e declarações de gente me elogiando e elogiando o meu trabalho, o que me deixam super pra cima e eu sempre agradeço por esse amor todo. Eu procuro tentar lidar com esse assédio da melhor maneira, dando a maior atenção possível. Já como feminista, eu conheço os meus direitos e sei que não sou obrigada aceitar ou passar por determinadas situações principalmente com pessoas que por motivos diversos venham a faltar com o respeito comigo, porquê, ai sim, minha personalidade boladona se expõe.
Foto em Berlin - Alemanha

4 - Agora aquelas perguntas escrotas de caderninho de escola, mas que não podem faltar.
Seu Time

Já fui Vascaína fanática, mas hoje eu me recuso a contribuir com a violência e exploração do futebol .
Prato preferido
Feijão amigo da Barraca do Nuno.
Signo
Câncer.
Data de nascimento
26/06/1981
Uma música
Me Adora, Pitty. Em homenagem a um amor que depois de tempos ainda não percebeu isso!
Um livro
Vigiar e Punir, Foucaust. Todo pichador deveria ler.
Um filme
Adoravel Mundo Novo. Imperdível. É um exemplo claro de que tudo é construção cultural.
Um lugar
Meu sonho e virar uma noite me Lopes Mendes com um amigo especial.
Religião
Ateu.

5 - Panmela por Panmela, em 4 ou 5 palavras:
Artista de Rua política e feminista.

Foto em Toronto - Canadá

6 - Se você fosse homem por um dia, o que gostaria de fazer?
Esses desejos eu já realizei todos. Sem exerções.

Agora pros marmanjos de plantão


1 -Vi uma vez em seu fotolog, uma lista bem exigente de requisitos, chamada procura-se um namorado. A pergunta é: Alguém já conseguiu preencher a lista?
Essa lista é parte de um trabalho de arte aonde eu repenso as questões de gênero. Porque nós mulheres temos que estar dentro de padrões impossíveis de beleza e que todos os dias baixam a auto estima de milhares de moças diminuindo nossa qualidade de vida? Então eu criei padrões pra as pessoas refletirem o quanto sacrificante é ter um padrão impossível como meta e o quanto errado isso tudo funciona. A maioria ironiza a lista, mas é este tipo de tratamento que nós recebemos todos os dias pela sociedade tentando ser magras, sensíveis, femininas, educadas, etc.

Recebi muitos e-mails e respostas, inclusive de figuras ilustres, e em sua maioria de meninos que realmente estavam a fim de um relacionamento comigo apesar de se autodefinirem fora dos padrões. Até achei uns bens interessantes apesar de não ser minha meta arrumar um namorado a partir da lista.

2 - Tem essa lista ainda? Coloca aí.
1 – Inteligente
2 - Seja nota no mínimo 8 na cama
3 - Me ache a mulher mais maravilhosa do mundo
4 – Fiel
5 - Entender de economia mundial.
6 – Trabalhador
7 – Não conte mentiras nem engane ninguém
8 – Educado
9 – Carinhoso
10 - Personalidade forte
11 - Tenha no mínimo dinheiro pra pagar suas próprias contas
12 - Sexy
13 - Culto
14 - Não goste de briga, mas que brigue bem e nunca perca
15 - Senha muito bom no que faz
16 - Que feche comigo mesmo quando eu estiver errada
17 - Fale no mínimo 3 línguas
18 – Pratique esportes
19 - Goste de viajar
20 - Não tenha vícios
21 - Goste de artes plásticas e entenda do assunto
22 - Goste de livros
23 - Goste e entenda de cinema
24 – Goste de filosofia principalmente Focaust
25 – Cheiroso
26 - Não pode ter barriga
27 - Goste de MPB, Bossa nova ou rock nacional

3 - Melhor presente pra te impressionar? Uma caixa de Montana, um buquê ou outros. Quais?
Eu sou do tipo de mulher que se conquista com elogios e não com bens materiais. Porque a caixa de montana eu mesma compro com o meu dinheiro, mas admiração, carinho e amor do próximo não é possível comprar e por isso é valiosa.

4 - O coração está batendo em algum estado do país?
Ano passado resolvi assumir minha paixão de quase uma década pelo pichador Ellus que para minha sorte hoje mora fora do país. Decidi por esta atitude porque penso que a melhor forma de superar algo é assumindo e colocando pra fora. Apesar do amor e dos bons e felizes momentos, nem sempre duas pessoas nasceram para conviver juntas e é sabendo disso que nunca deixei de dar oportunidade pra a vida me fazer feliz na companhia de outros, ou mesma sozinha. Hoje apesar de minha profissão dificultar compromisso sério com alguém, ainda estou a procura do meu par.

Falar de xarpi agora

1 - Começou a pichar em que ano, e por qual motivo?

2000/2010
Me considero a típica xarpi Geração 2000.
Já contei o lance da escola, né? Sempre me senti um peixe fora d’água, a pichação fez com que eu me resocializasse. Na época os caras mais lindos de Muriqui, que era o bairro vizinho que eu freqüentava tiravam onda de xarpi. Eu detestava ser ignorada por todos eles ou ser vista como mais uma menina qualquer pra eles darem um lance e tal. Sempre quis ser diferente, tipo especial. Consegui isso virando pichadora. Como eu me dediquei ficando até com mais nome do que eles, ganhei admiração e respeito, virei um deles ao ponto de isso me torna intocável e me fazendo comportar e vestir como um homem, e com isso a idéia inicial que era conquistar os “gatinhos” acabou ficando em segundo plano. Comecei a gostar da coisa, mas como não conhecia os pichadores de verdade e pichava sozinha ou com a tal amiga, agente não entendia muito bem os esquemas, era tipo por extinto. Como comecei a pixar fora do bairro, em outros municípios, acabei chamando atenção dos pichadores de verdade que na época eram os meninos da OT e da AR de Itaguai que me procuraram e me acharam impulsionados pelo fato deu ser mulher, pois na época não existiam essa coisa de mina xarpi e muito menos escalar prédio como eu já havia começado a fazer, e ficaram curiosos. Ai ferrou né, depois q eu conheci os caras de verdade, veio reú, fiz amizade com geral e quando voltei pra Penha piorou mais ainda (Minha mãe me mandou pra casa da minha tia depois da terceira visita do sargento da cidade na minha casa e uma queixa como flagrante , os outros problemas). O que mais me seduzia nisso tudo não era o xarpi em sim, era ir pro Baile, ficar na rua, falar gíria, surfar no ônibus, anda todo o Rio e agir como um homem. É ver os caras falando com você porque você é uma deles, é ser livre como agente mulher nunca pode ser.
Nesta época foi um pouco difícil me enquadrar, pois os garotos achavam palhaçada mulher no xarpi, agente só via falar na Lelê e muito vagamente, praticamente não tínhamos referências femininas. Hoje além da geração nova ainda veio os nomes da G80 que na época ninguém falava porque agente não tinha tanto acesso as histórias da G80 como tem hoje. Era como se nunca tivesse existido. Os caras então achavam que uma mina só ia atrapalhar pois não ia conseguir subir, correr, desenrolar, ia chorar na hora de rodar e ainda corria o risco de alguém querer agarrar na rua. Uma mulher subindo marquise era uma coisa absurda pra eles na época, era tipo inimaginável, e o ferrugem acabou sendo a confirmação de que nada é impossível. Foi com muita sagacidade que eu provei que poderíamos fazer tudo o que um homem fazia e acredito que por isso eu abri caminho para toda a geração de minas posterior, pois os homens já haviam entendido que nós éramos capazes, acostumaram a respeitar, confiar nas minas e principalmente a incentivar. Por conta disso, hoje em dia, as minas são super bem vindas e estimuladas e até quem não picha se privilegia sendo aceitas só pelo fato de ser mulher, o que acaba gerando um exagero negativo em relação a essa receptividade.

Depois de todas essas experiências, hoje eu pude escolher voltar a ser feminina; mas ser mulher sabendo dos meus direitos de ser livre sem deixar ninguém me controlar ou me oprimir. Foi através da pichação que eu encontrei meu mundo.

Hoje em dia contado essa história ninguém acredita que eu cheguei aonde cheguei por causa dos “gatinhos”. As minas gostam de se fazer de difíceis e falar que picham porque gostam e tal, mas a verdade é que toda mina que começa pichar é pra ficar no meio dos caras. Depois elas podem até gostar de pichação e da rua como foi o meu caso, mas no princípio é sempre por causa deles.



2 - O que a pichação representa ou representou pra você?
Foi a forma que eu achei para entender o mundo, conhecer as ruas e meu direito por liberdade.

3 - Sei que não dá dinheiro, pelos menos nunca ganhei!
Mas tem algo de concreto que você possa falar, isso eu tenho ou ganhei graças a pichação? O que?

Eu já ganhei dinheiro com pichação. Sempre me pagam para dar palestras, fazer debates e até colóquios sobre pichação justamente por eu ser uma referência. Mas é importante destacar que isso não é só pelo fato deu ter colocado nome, mas porque eu nunca parei de estudar o que me permitiu refletir sobre minhas ações e transformar isso em cultura. E como eu falei, foi a pichação que me deu experiência suficiente para conhecer o meu mundo, refletir e entender os meus direitos. Hoje eu fui homenageada com um prêmio dos mais importantes em direitos Humanos em Washington, DC, EUA. Se hoje eu sou referência nesta luta e meu trabalho é destaque como transformação positiva cultural da sociedade, isso aconteceu por conta das experiências que a pichação me proporcionou. Fui capaz de refletir e entender o que acontecia e assim construir uma nova forma de pensar a sociedade e principalmente as mulheres.

3 - O que a pichação te tirou?

A inocência e o meu pedaço de terra no céu.

4 - Na rua a gente ouve muita coisa que não é verdade, fulano some um mês, já começam a falar que ele morreu por exemplo, uma coisa que sempre ouvia, era que você namorava com o falecido KIK, esclarece aí essa duvida, procede não procede? E, o que houve com ele?
Sim, eu fui casada durante 3 anos com o falecido kik. O que acontece é que eu nunca gostei de vincular meus nomes com os meus namorados, pois gosto de fazer minha fama sozinha e, acredito que sou auto-suficiente nisso e, apesar de ter claras tendências para gostar de homens fortes, nunca precisei me apegar a seus nomes para me fortalecer. Assim como pouquíssimas vezes coloquei nome com ele e muito menos quis trocar de sigla pra tacar a dele. Na verdade quando eu comecei a namorar eu já tinha o meu nome feito e ele ainda tava começando, e quando eu parei de xarpi foi quando o nome dele ascendeu.
Quando ele morreu preferi ficar no silencio e deixar ele descaçar em paz pois acho antiético usar o nome de um falecido pra se fortalecer e garantir mídia. Hoje em dia comecei a divulgar algumas fotos e a contar histórias da época que é pra não deixar morrer a história não só do Falecido Kik mas de toda a OD2 que também teve seu líder o Wboy morto além de outros importantes integrantes. Na época, tínhamos uma casa no Manguinhos e a sigla era uma verdadeira gang, uma das mais fortes do Rio e só com os mais periculosos. Não era qualquer um que tacava, tinha que ser muito bom e muito rato.
O Wboy foi morto por policiais da área dele e desembocado la na baixada e, o Kik, também foi morto por policiais da área perto de sua casa. Esse é o programa de limpeza da milícia, que confere pena de morte aos jovens do Brasil em um julgamento individualista e ilegal. A Lei diz que a pessoa que age errado na sociedade tem direito a um julgamento justo e ir para a prisão aonde deve ter condições mínimas de sobrevivência. Esta não é a realidade do Brasil e enquanto existirem coisas assim a minha luta pelos direitos humanos não irá parar.



5 - Vamos ajudar agora as autoridades a lidar com a gente, na sua opinião, qual é o maior castigo para um pichador?
Pegar a lata e botar pra ralar. Pichador gosta de contar história e se não tem história de perrengue, não tem graça né! Tem que tomar uns tiros, ser pintado, voltar pra casa pelado, etc e tal! Você uma prova viva disso. Como você ia atrair dezenas de visitas diárias aos seus espaços virtuais se não fossem as suas histórias de rodadas?
6 - Quem era ou é, o amigo(a) que você gosta de colocar nome junto?
Na verdade nunca tive um parceiro certo mas quando comecei a colocar nome tive um grande amigo q foi o Bande da OT de Itaguaí. Ele que me ensinou os macetes de subir nos prédio, o que era bom de pegar, os eternos, etc. Pegamos vários topos juntos la na terrinha. Já tem muitos anos que ele não picha e quando pichava era mais la na área mesmo. Também gostei muito do Avia, Rã e do Ellus que me davam mo atenção pra subir nas paradas, pq nego como não tava acostumado com mina saia subindo e agente tinha que se virar em ir atrás. Por conta disso varias vezes me ferrei toda e já cheguei a ficar pendurada em marquise q caiu no meio da missão por que nego não tava nem ai.

Anarkia e Stile, curtam o visual

7 - Porque você saiu da 5 estrelas?
Eu tenho 10 respeitáveis anos de história no xarpi. As pessoas me respeitam e sempre acreditaram no meu caráter e a confiança e integridade sempre foi uma das qualidades mais valorizadas em mim. Eu acredito que uma forma de retribuir esse respeito foi me retirar do grupo quando situações de desrespeito a outros amigos estavam começaram a acontecer. Sempre fui muito bem tratada e valorizada pelos meninos da 5 estrelas, tinha autonomia e liberdade para lidar com qualquer decisão do grupo, mas apesar disso, não pude deixar a minha posição de abandonar o grupo após o incidente do Xarpi Rap Festival 4 quando cédulas pré preenchidas foram colocadas na urna como forma de manipular o resultado final.

Isso tudo foi uma pena pois eu não esperava que minha saída discreta do grupo fosse gerar problemas pessoais como ameaças e apelos de difamação relacionados a minha sexualidade como forma de me desvalorizar e tentar arranhar minha imagem que sempre foi uma das mais fortes do grupo. Por me sentir oprimida, resolvi abrir para as pessoas o que havia acontecido e as ameaças que vinha sofrendo como forma de me proteger.

E apesar desta situação desagradável, ainda sim não me deixo oprimir e continuo afirmando que todas as pessoas que freqüentam os eventos do grupo estão assinando seus atestados de idiotas (Papa-léguas como eles falam), como são tiradas pelo grupo se deixando continuarem a ser enganadas e apoiando as ações.

8 – Ta rolando uma polêmica na internet sobre um comentário que vc fez em relação a galera da G80 no Orkut de um amigo. Vc tem algum tipo de preconceito?
Pra agente que vem de outra geração, ver o xarpi de uma outra forma foi difícil. Foi com muita estranheza que recebemos os meninos da G80 invadindo o que considerávamos nossos espaços. No princípio era difícil entender aquele monte de tapume e tintão com nomes gigantes de Fatcap, mas com o tempo, agente vai fazendo amizade, conversando e entendendo qual é a dos caras. Pra mim foi ainda pior, porque depois que eles chegaram, acabaram-se os espaços disponíveis para graffiti no Rio. Mas, uma coisa que eu aprendi conhecendo eles melhor foi a entender e respeitar esta geração que é e sempre vai ser diferente da geração 2000. Eles começaram com o xarpi e tem os seus méritos pelo o que fizeram em sua geração, mas Tb eles têm que entender que o xarpi mudou, que quando eles voltaram, o xarpi se apresentava de uma forma diferente. Hoje em dia com essa mistura de todas as gerações o xarpi do Rio tomou uma terceira cara que eu, sinceramente, não sei aonde vai dar. De qualquer forma, também dar uma gastadinha de vez em quando pode, Né! Eu mesmo me zoo quando faço algo igual a eles chamando o nome de estilo G80....! É como zoar o irmão ou o time adversário. Normal.

8 - Quando a Anarkia pichadora resolveu virar a Anarkia grafiteira, parou de pichar quando, porquê?
Na verdade eu comecei a grafitar quando comecei a pixar. Via os meninos q conhecia do xapri grafitando e pedia pra fazer, mas nunca me dediquei até então 2005. Eu nunca levei a pichação a sério querendo mesmo é estar na rua, e só pichei com dedicação durante alguns meses. O resto foi tudo nome de caô.
Resolvi largar de vez essa história de pichação, de ser homem e de ficar na rua quando quase morri numa situação no Manguinhos em janeiro de 2003. Não tenho medo de expor essa parte da minha vida pois estas experiências foram o que fizeram eu tivesse esta cabeça de hoje. Mudei minha vida, entrei pra igreja, me dediquei a minha casa, trabalho e estudos. É claro que nada disso deu certo, senão não era a Anarkia de hoje, mas graças a Deus isso me conferiu uma maturidade que nunca conquistaria de outra forma.

9 - Qual o gostinho de pegar um ferrugem?
O Ferrugem é considerado uma das modalidades mais difíceis no xarpi e apesar de eterno, poucos foram capazes de subir. Pessoalmente acho o ferrugem bem tranqüilo porque nunca tive medo de altura e sempre tive coragem para subir em qualquer lugar. Tudo bem que andar num lugar estreito que nem uma lagartixa, sem espaço pra ir pra traz e sem ter aonde segurar não é muito fácil, mas, a pior coisa é o fato deu não conseguir fazer a barra e me puxar pra cima de novo. Naquela época não tinha esse negócio de corda, e eu acho que mesmo com uma corda eu não conseguiria me puxar, principalmente porque a adrenalina e a posição que agente fica lá encima (No caso lá embaixo) tipo cansam muito e depois de alguns minutos você fica com muito menos força. Dependi muito da força de vontade do parceiro da missão e essa insegurança, como mulher, é que é a pior dificuldade de todas.

Anakia e Rã, ferrugem em São Cristovão

10 - Se arrepende de ter sido pichadora? Porque?
Se eu não tivesse sido pichadora eu não tinha sido a Anarkia.

Vamos entrar no mundo da grafiteira agora.

1 - Você conseguiu se destacar por mérito em dois mundos da tinta, o xarpi e o graffiti, que são dois universos de maoiria masculina,. Qual o segredo pra isso?
Eu gosto de me dedicar as coisas que faço e não me oprimo pelas dificuldades. Muitas meninas acham que só de estarem fazendo algo já está bom porque é fácil se destacar quando é mulher, mas eu não, como mulher eu quero ser 3 veses melhor do que um homem que é pra conquistar pelo menos a igualdade. As mulheres não são treinadas em sua criação para ocupar certos espaços masculidos, e o espaço da rua é um desses, são muitas dificuldades e principalmente depois que se casam e terem filhos. Eu abdiquei muitas coisas de minha vida para conseguir me manter no meio e sei que pago por isso até hoje. Um exemplo é ter que abdicar da cosntrução de uma familia. Com a nossa cultura é dificil encontrar um rapaz q vá aceitar certas atitudes do meu cotidiano relacionadas ao graffiti, xarpi e rua, e dividir as obrigações como a responsabilidade na criação dos filhos e do serviço doméstico e certamente eu não pretendo deixar o meu estilo de vida pra me adequar a ninguem.

2 - Meus parabéns pelo prêmio no Hutuz. O que muda com esse prêmio, vamos dizer assim, na carreira de uma grafiteria?
Eu ganhei o prêmio a primeira vez em 2007 como destaque do ano e agora em 2009 como grafiteiro da Década. Acho que é uma homenagem para valorizar o trabalho do grafiteiro e pra mim foi importante o prêmio pois além de ter conferido mais visibilidade, marcou a história por ser única menina a ganhar o premio em uma categoria individual e mista destacando o fato deu ter sido indicada a primeira vez com 1 ano de graffiti enquanto a maioria dos indicados está em torno de 10 anos de experiência.

Acho que o que vai dar uma virada mesmo será a homenagem que irei receber do Vital Voices Global Leadership Awards que é uma premiação de uma importante organização Americana que identifica e investe em mulheres líderes do mundo inteiro, lhe dando visibilidade. E como eu havia falado, eles vão estar me homenageando na categoria de direitos humanos pela minha liderança nas questões do direitos das mulheres com destaque da metodologia que eles consideram inovadora do uso do graffiti como veículo para a multiplicação desses direitos. O evento acontece em Washington e é considerado o evento mais exemplar do ano, atraindo mulheres e homens poderosos do governo, da mídia e da comunidade diplomática. Nas premiações anteriores já foram homenageadas mulheres como a Presidente do Chile Michelle Bachelet, a pioneira anti tráfico de mulheres Somaly Mam, a Nobel Laureate Muhammad Yunus, e até a Hillary Clinton. Pra mim tem sido excitante estar fazendo parte desse grupo de mulheres seletas.

3 - Já dá pra viver de graffiti no Brasil? Porque?
Graffiti é uma pintura de rua espontânea. Agente ganha dinheiro com outras coisas mas o graffiti verdadeiro não é esse q se ganha dinheiro. Hoje os valores sobre isto estão todos muitos confusos.

5 - Você dá aulas de graffiti, outros grafiteiros também dão, mas como falamos ali em cima você é formada em belas artes, Qual a importância de um diploma nesse caso?
Eu acho que a importância não é só o diploma, a importância é vc conhecer o mundo e sua história e refletir sobre o lugar que habita e seu papel na sociedade. O que adianta você pintar maravilhosamente bem e não entender o que faz?

6 - Contrariando a lei da física que diz: Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, você consegue estar em vários locais ao mesmo tempo. Flicrk, twitter. Fotolog, orkut, site Grafiteiras.com.br, seu site próprio além de outras coisas que você admistra na net, mais vida pessoal, pintar na rua e eventos, dar aula. Como você consegue, se o dia só tem 24 horas?
Trabalho pouco e ganho muito. Quando ganho pouco, gasto pouco, porque ai não preciso trabalhar muito. Acho que essa coisa do trabalho constante e da dívida eterna que agente cria é uma coisa criada pelo sistema pra controlar a massa da população não dando espaço para a liberdade das pessoas e tornando todos nós escravos. Trabalho mínimo que posso e uso o meu tempo livre pra fazer tudo o que desejo.

7 - Fala aí um pouco do projeto Grafiteiras Pela Lei Maria da Penha.
Esse projeto teve muita visibilidade e usava o graffiti como veículo de divulgação dessa nova importante lei sobre violência doméstica além de dar visibilidade para o trabalho das grafiteiras e descobrir novos talentos. Ele já foi apresentado em diversas conferências internacionais e a minha premiação da Vital Voices foi pela metodologia desenvolvida no projeto. A parte boa é que depois desta experiência eu estou conseguindo ajudar várias meninas sobre esta questão da violência doméstica e relacionados a posição da mulher na sociedade o que tem me feito me sentir muito satisfeita.
9 - Mesmo quando eu estava parado com a pichação, reparava sempre em um detalhe, que pode passar desapercebido por olhares de cidadão comum, mas pelos meus olhares não passou não. Via seus bombers na rua, e reparava nesse detalhe e pensava comigo mesmo, essa tal de Anarkia é pichadora também, falo da sigla que você sempre assina junto do seu nome AR.
A AR, Amantes do Rabisco é a sigla mais antiga em ação pois quando todas essas siglas antigas que voltaram, estavam paradas e eram considerradas mortas, a AR desde 1989 se mantinha ativa devido a liderança do seu criador Vely que é um apaichonado por pichação. Vários grandes nomes já passaram pela sigla que é uma das maiores e mais importantes do Rio como Gole, Tay, Cazuza, Bin, Tommix, Sous, Let, e hoje continua com nomes fotes como Kabal, Bobe, Fox e Zuly. Dizem também que ela foi a sigla mãe que originou várias outras siglas fortes da cidade como OT e Irreverentes. Agora em 2010, depois de oito anos tacando eu troquei de sigla por questões de afinidade, mas sempre guardarei a Ar no coração pois é o que marcou a minha origem.



10 - Você é uma grafiteria que picha ou uma pichadora que grafita? Pergunto isso pois sei que você vive os dois mundos,está sempre envolvida nos acontecimento de graffiti, mas está ao mesmo tempo, sempre dando uma moral pra rapaziada do xarpi, um bom exemplo disso foi quando o STILE foi fotografar eu e o FYT em uma ação, você apareceu, e filmou a ação, editou o vídeo, e mesmo com o computador ruim, fez um macete lá e postou o vídeo. Já até perdi o foco da pergunta, mas será que você saiu da pichação, mas a pichação não saiu de você?
Na verdade eu não picho. Me considero parada desde 2002. O que acontece é que tenho dificuldades de me afastar dos amigos do xarpi porque aqui tenho liberdade pra ser o que eu quiser sem ser julgada pela moral. É o submundo aonde podemos ser o que quiser. Acho que dei uma grande contribuição com a história do xarpi criando em 2005 um flogão que foi um dos primeiros com postagens generalizadas e que difundia a cultura tendo centenas de visitas e dezenas de comentários por dia acarretando na posterior onda de fotologs que vivemos hoje; começando com a histórias de filmagens de xarpi e tendo dezenas de entrevistas com geral arquivadas para o futuro; fotografando e divulgando o xapri carioca em outros estados e países; e representando a cultura em palestras em outros estados e entrevistas em veículos da mídia. Um dos primeiro churrasco da Penha, evento que marcou a nossa geração, foi divulgado a partir do cartão da minha exposição, e depois disso surgiu a idéia da divulgação usando flyer impresso. Se você pensar bem até a criação do Xarpi Rap Festival foi criado a partir da empolgação da minha presença no Hutúz Rap Festival, marcando a nossa história; assim com a criação das famílias, por eu fazer parte da construção desta primeira. E assim vai... depois de 10 anos de história não tem como mais eu me desvincular do meio já to toda amarrada.

11 - Anarquia com “Q” na forma literal tem vários significados, algum deles se
encaixam ou definem, a Anarkia com “K”?
Lembra da escola novamente? Naquela ocasião eu coloquei Anarquia por sinônimo de liberdade e afrontamento pela instituição adestradora como a escola escrevendo várias frases de protesto nela. Dai ficou. Só em 2005 Anarkia passou a se escrever com K por causa do meu flogão que foi denunciado e tirado do ar e que a opção de que encontrei para fazer outro era usar Anarkia com k. Gostei, ficou, e ta ai até hoje.

12 - Você já viajou pra outros países viu e teve contatos com outras culturas, fale um pouco dessa sua experiêcia internacional;
Já viajei para Africa do Sul, Alemanhã, Canadá, Colômbia e este ano estou indo pros EUA. Todos para representar o Graffiti Brasileiro e pensar a sociedade e os direitos humanos, pois como o meu trabalho artístico é político não tem como desvincular uma coisa da outra. Ah! Coloquei nome em todos os países visitados tb, só pra constar. Alguns países são diferentes, outros parecidos, as veses parecemos avançados, as veses achamos absurdamente atrasados. Acho que o Brasil está em um meio termo em relação a política, economia e cultura.


Enfut -Alemanha


Bogotá -Colômbia


14 - Pra finalizar o bate papo, deixa um recado aí pra geral da tinta, independente se grafiteiro ou pichador.
Logo quando foi criado o esse BLOG, o Nuno me pediu pra responder as perguntas pro Blog.
2 anos se passaram e finalmente aconteceu. Acho que tudo tem o seu tempo e a maturidade conquistada nesses anos tenho certeza que oferecerá uma contribuição bem maior para esse espaço que eu acredito que tenha grande importância para o registro dessa nossa cultura, pois o que está na história é apenas está registrado em escrita, vídeo e fotografia. Aqui o Blog contribui para o registro da nossa história com essas dezenas de importantes entrevistas que no futuro serão de valor inestimável.


Para Ver mais: http://www.anarkiaboladona.com
Pra mais perguntas: http://www.formspring.me/anarkiaboladona



Capa do site oficial da Anarkia link acima...












21 comentários:

Anônimo disse...

Sem querer sem puxar saco, pq isso definitivamente eu não sou, me identifico mto com você Anarkia, pq é autentica, e fala mesmo, doa a quem doer, E eu tbém sou assim, e sei o quanto é "díficil" ser assim no meio de tanta hipocresia. Esculaxo na entrevista. Espero que com o seu alerta, muita gente abra o olho, porque tá na cara, só não vê quem nao quer !

Bjos, Dynha !

Gabriel disse...

Mto show a entrevista, sempre adimirei o xarpi da kia...começei a reparar nela em um role dela aqui no grajaú com o ellus...ta de parabens e mto sucesso pra vc anarkia, na sua vida pessoal, proficional tb...abçss.

ÉRY_INC_ANDARAÍ

PAULO SERGIO disse...

Porra, não me leva a mal, mas parei de ler essa entrevista logo no início. Ela fala como se fosse a maior lenda viva do charpi carioca de todos os tempos. "Quando comecei a namorar o KIK eu ja tinha nome e era conhecida" "Já tinha meu nome no charpi"
PORRA, quem ela pensa que é ?
Uma pobre coitada...
Ela perto do KIK nao é nada, e perto de muitos outros ... Se ela não fosse mulher, QUASE NINGUEM perceberia a presença dela nas ruas e não teria tanto foco em cima. Seria apenas mais um "joão" como dizia o famoso Garrincha.
Imagina ela com nome por aí espalhado como o NUNO,FYT,ABRA,PIU,KADU,ISAK,SEL, etc.
Ela ia cagar em cima das pessoas.
É uma deslumbrada. Pobre coitada.
Só me resta lamentar.
Mesmo assim parabéns pela entrevista, serve pra nos mostrar esse tipo de coisas ao menos.
Abraços!

leonardo disse...

LEO TRUFO
parabéns pela entrevista e como a DYNHA disse! Espero que com o seu alerta, muita gente abra o olho, porque tá na cara, só não vê quem nao quer !

sheik disse...

vlw vascaína tamo juntos ,´parabens pela entrevista onde no destaque foi a sinceridade , continue assim pq a verdade é pra ser dita e doí . sucesso é paz !!!! mano sheik !!!!!

TOKAYA disse...

QUEM NÃO TE CONHECE É QUEM TE COMPRA...

VÍBORA DO CARALHO.

Baser LT disse...

Po pra falar a verdade Passei por ela uma vez graffitandu e elogiei o trabalho dela e ela nao deu uma palavra...varios e varios amigos do xarpi ja me disseram q ela nao tem humildade e pude sentir issu perto...Sendo assim XRF de 2005 estavam Raiva,Anao e anarkia...peguei nome do Anao e do raiva e quandu ela ia pegar o caderno pra assinar peguei o caderno e fui embora! Achu q uma pessoa sem humildade eh lixo! ou melhor NADA!!!De bom ela soh tem os graffites mesmo!nem xarpi no xarpi tinha tantos nomes pra fikar se achandu assim!
Posso nao ter tantos nomes expalhados...mas uma coisa mas importante eu tenhu...humildade!
Concordo com Paulo Sergio e o Amigo Tokaya! Tokaya sim eh humildade Pura!

Anônimo disse...

admiro o trabalho dela .
Agora acho difícil ela encontrar
um namorado com todas aquelas qualidades andando no meio da rataria .
deixa quando passar dos 35 ela vai ver que não achou o principe encantado e vai pegar o primeiro sapo q vier kkkkkk

rafael disse...

Ai anarquia valeu pela entrevista tem que ser bastante corajosa para se expor num meio onde são poucos que tem a qualidade de ser autentica que nem você ,me sinto um privilegiado em conhecer pessoas igual a você.

ABRAÇO FAEL OD2

Anônimo disse...

oq essa garota tah querendo hein

Anônimo disse...

"Focaust"? LOL

seif disse...

Boa entrevista, e boa artista de rua, mas...não é a G80 q tem q se adaptar a geração 2000, e ssim a tal, as geraçoes 70/80/90.Essas geraçoes são importantissímas para o xarpi carioca.

abç.

IAX _ (E.N )

Anônimo disse...

admiro o talento dela p/ o grafite e seus trabalhos.tanto, que ela foi reconhecida com varios premios.
Já a personalidade cada um tem a sua, isso naum pode ser confundido com o talento.Mas a humildade é algo que só acrescenta.Outra coisa que me chama a atenção na sua história, é que todos os pichadores são carentes e revoltados em algum sentido.Mas se percebem que esse caminho eh divertido mas que naum vale a pena, pode ser tarde demais.
Tanta coisa p/ brigar, discutir logo por nome numa parede que naum é sua, é a mesma coisa que discutir com a natureza, não dá em nada. O nome vai embora um dia.

Anônimo disse...

Quem tem mais moral, quem é indicada para um prêmio internacional ou quem colocou mais nome na pista?

Smoke Ice disse...

Anarkia é um talento Nato! só a conheço pela internet e, via HUTUZ. bom, o reconhecimento do trabalho dela é em grande parte pela ação social pelos direitos da mulher. Ela está aproveitando os espaços que estão surgindo inteligentemente. Quanto a ela ser marrenta,ou sei lá o quê, isso se chama personalidade. Quem é o pixador ou graffiteiro que é bonzinho e sincero o tempo todo? Só de alguém se achar que é humilde, já é uma falta de humildade, ou eu estou errado? Bom,gostei muito da entrevista, Parabéns Nuno, parabéns Anarkia e, um salve a todos que por aqui passam!

Anônimo disse...

o nome do pixado e fael q xarpiu com anarkia

daniloregisnh disse...

te conheço e vc me conheçe hoje estou baleado mais vivo ,sempre gostei de xarpi e levava muito a sério mas ñ me deu em nada ,tenho duas filhas lindas agora e sei q se elas viesem antes ñ faria o q eu fiz mas admiro vc mina ,parava com os caras q eram suiçida tbm e formei na od, com leo e veiu os barró direto ai veio o rafael eo diego e os menor tinham a mente criminosa,mas hoje estou feliz aonde estou .c cuida ass;danilo [croi]

Anônimo disse...

A mina nem precisa ter muito nome. Tem muita disposicao! Poucos xarpis tiveram disposição de pegar ferrugem. Olha o ferrugem dela da época q a parada era na mao! É muita onda...

Anônimo disse...

Pode ser q aqui pra baixo nao, mas na costa verde ela dominava, muito nome!

Anônimo disse...

ACHO QUE HUMILDADE É FUNDAMENTAL,ENTRETANTO SE EU FOSSE ELA EU TAMBÉM IA ME SENTIR(UM POUCO).DEIXANDO O LADO PESSOAL ,ELA MANDA MUITO NOS DESENHOS E EXALTA O GRAFFITE FEMININO,SEMPRE DOMINADO PELOS GAROTOS .

Anônimo disse...

Eh muita covardia um picfador morrer assassinado.
Seria melhor que todos despencassem lá de cima e ficassem aleijados.
Lugar de rato é no esgoto.
Volte para o esgoto maldita!